Os portais de gastronomia elegem a comfort food como aquele alimento que causa nostalgia, que tem um alto valor sentimental. Enfim, como o próprio nome diz, uma comida que causa conforto. Às vezes, vai além do peso gastronômico. Todos possuem alguma lembrança ou algum episódio que volta à memória quando comemos. Sempre ouvi dos mais antigos que duas coisas que fazem relembrar o passado são perfume e comida (quem também tem cheiro). Para mim, isso está certíssimo.
É claro que não são todas as comidas. Isso é junk food. Mas podem ser doces ou salgadas As nostálgicas, para mim, são as comidas de vó. Até as ruins carregam uma lembrança. Corrigindo: das avós, são todas as comidas. Comida de vó é comfort food do início ao fim. Até tomar um copo de água na casa da avó me remete a algo. Por exemplo: comer bolo mole (feito com ovo das galinhas criadas no interior, tudo natural) me leva ao apartamento de Fortaleza. Eu ajudando a pesar a massa, acompanhando as orientações em um dos seus vários cadernos de receitas (que eu espero herdar). Colocando a massa no liquidificador marrom (antigamente o branco não era a cor padrão).
Se eu como a galinhada feita por ela, lembro-me dos banquetes (não significa comida chique, mas farta) em Amontada. Da ceia de Natal no interior, embaixo da mangueira, com frango e porco criados no quintal de casa, arroz soltinho, feijão saboroso, e todos reunidos: primos, tios, agregados.
Por isso que é difícil um restaurante grande fazer comfort food. Restaurantes, principalmente os grandes, servem comida em série. O cozinheiro recebe o pedido, faz o prato seguindo a receita e despacha para o salão. Não há tanto envolvimento assim, embora eles amem trabalhar.
É claro que existem as exceções. É claro também que fazer comida em série não significa uma comida feita sem amor. Mas comida de vó é incomparável!

