Esses dias estava passando pelo bairro onde morei há alguns anos. Na época que morei com a minha avó. Sempre gostei de lá pela praticidade. Muitos serviços a poucos passos de casa. Uma padaria com um ótimo pão francês. O nosso carioquinha quentinho (agora imagine com um café). Ah, tinha um bolo de chocolate delicioso também. Sabe aqueles com calda? Tinha também uma academia, e claro, uma pracinha bem bucólica. Daquelas que os vizinhos se reúnem toda semana para rezar o terço. Na praça, uma banca que eu comprava várias revistas, e o Messias.
Na verdade, criador e criatura se confundem. É o nome dele, mas também do seu estabelecimento, um trailer (hoje food truck) na praça, onde serve um dos melhores sanduíches que já comi. Não por ingredientes “chiques” ou importados. Mas por fazer o básico bem feito. O conceito também está na simplicidade. Inclusive, prefiro muito mais uma comida assim, que as que são “apenas” bonitas. Enfim, quase todas as noites, depois da correria do dia, passava lá, sentava para assistir o jornal e saborear um sanduíche de frango. Era o fechamento do dia. Quase que uma tradição.
Anos depois, nos dias de hoje, já morando em outro bairro, estava passando ao lado da praça e, para minha felicidade, o trailer já estava funcionando. Não sei se acontece assim com todos, mas no mesmo instante eu lembrei do passado. Um saudosismo que me deixou feliz. Lembrei da época de estudante, da minha avó (que saudade), e, claro, do sanduíche. Divino, aliás. Parei para comer e relembrar os velhos tempos. E ainda bater um papo com o Messias. Pode parecer meio piegas, mas a cada mordida, uma lembrança.
Tenho um pouco de preconceito com o termo, mas em toda essa experiência cabe o conceito da “comfort food”. Nostálgica. Mas aí é que está. Se não fosse o Messias, o local (e o dono) onde eu tive essa experiência, não seria um cozinheiro que iria reproduzir isso. Cada um tem a sua “comfort food”, e não dá para ser criada em série. Felizmente, temos os nossos salvadores.


