Um conhecido meu, dono de restaurante, foi pego de surpresa com o decreto obrigando o fechamento temporário do seu negócio e de outros milhares, por conta da incerteza dos governos em saber o que era mais eficaz contra o corona. Ainda tentou manter o sistema de entregas, mas a queda brusca no faturamento já era uma realidade. E somado a isso, a situação já delicada que muitos pequenos e médios negócios vivem no Brasil, com poucas reservas financeiras. Já era de se esperar a bola de neve dos próximos capítulos. Dificuldades para pagar os fornecedores, contas e salários. Para diversos restaurantes, o decreto foi outro: falência.
Óbvio que o isolamento social seria eficaz em um primeiro momento, para reduzir a contaminação e conscientizar a população acerca dos cuidados. Mas com novas informações chegando, e atualizando acerca, outras medidas deveriam ser tomadas, inclusive o retorno das atividades, com, é claro, todos os cuidados tomados. Mas os governantes, me parece, preferiram seguir o caminho da política, aproveitando o momento para angariar alguma aprovação. Com o discurso batido de “vidas em primeiro lugar”, decretam a morte dos pequenos negócios e pequenos empregadores. E nenhuma morte vale mais que a outra. Todas geram sofrimento.
Aí as pessoas perguntam se adianta agora abrir os restaurantes, já que praticamente ninguém está deixando as casas. Agora não dá mais tempo, já que os governantes (junto com parte da imprensa) preferiram seguir pelo caminho do pavor, deixando as pessoas desesperadas e pensando que a morte estava dormindo ao lado. Que poderiam morrer até em pisar no capacho da porta da frente. Mesmo com relatos da própria Organização Mundial da Saúde informando que o coronavírus seria, para a maior parte da população, um resfriado. Mas para além disso. Hoje as pessoas (pelo menos a maior parte) estão mais conscientes acerca dos riscos desse vírus. E acredito que os cuidados seriam redobrados em um possível retorno das atividades.
Essa solução pode não ser aceita, mas deveria, pelo menos, ser debatida. Ou estamos na Idade Média, onde não podemos contestar ninguém?



