Quem aí já não se deparou com um cardápio de sobremesas bem…digamos…apático, não é verdade? Vários restaurantes, por mais “chiques” que sejam, às vezes deslizam na confeitaria. Por exemplo: um lugar que oferece, divinamente bem, os mais variados cortes, saladas, acompanhamentos, bebidas… Mas aí, chega nas sobremesas: um pudim (clássico inclusive em self service) e uma musse (se for de maracujá ou limão, clássicas de boteco, self service, hamburgueria e afins). Falta um esmero com os coitados dos docinhos. A coitada da sobremesa que sai sempre humilhada.
É claro que um pudim bem feito tem o seu valor, mas também contaria para a imagem do estabelecimento uma atenção maior para as sobremesas. Chega, digamos, em um restaurante de comida mexicana, prova lá um burrito e finaliza com um pudim? Não sei se orna. Vai em uma casa de sushi e, para fechar a noite, uma musse de maracujá? Da mesma maneira que um cardápio é pensado, com referências e ingredientes que harmonizem, o menu da confeitaria também deveria ser assim. O momento da sobremesa é o fechamento da experiência, é a continuação do processo de visitar um local.
Olha, obviamente o chef ou dono do restaurante não é obrigado a conhecer a confeitaria. Até porque os profissionais se especializam e se direcionam para algo específico. Embora estudem para saber “tudo” de cozinha, não necessariamente, repito, de confeitaria. Mas aí ele precisa ter a humildade de admitir que não sabe sobre, e contratar alguém especializado para fazer um menu à parte. Se esse profissional ficar, ótimo. Senão, pode treinar uma equipe. “Ah, mas eu vou ter que gastar…” Vai, se quiser manter um cliente. Inclusive, é preciso investir. Restaurantes são incríveis justamente pela preocupação com os detalhes.
Detalhe: não humilhe a sobremesa. Você vai precisar dela um dia.

