Cardápio digital e o ódio que sobe junto com a azia

Como eu sempre digo, tudo, absolutamente TUDO, ao chegar em um restaurante, faz parte da experiência. Digamos que o “comer” é a cereja do bolo (que brega), coroa a minha saída de casa, e a minha dedicação para me vestir e ir até um local. Ambiente, serviço, comida… tudo faz parte. Até antes, não é mesmo? A vontade de sair de casa, creio eu, já faz parte. Imagina: o restaurante pode ser maravilhoso, super exclusivo, três estrelas Michelin, mas se você sai de casa, bate o carro, ou, sei lá, escorrega na calçada e se suja, a experiência vai ser completamente diferente. E olhe lá se ainda quiser comer.

Mas quando ainda decide comer: o prato é bem apresentado, ingredientes selecionados… Aí sobe aquela azia feroz. Outro momento ruim da experiência de comer fora. E sabe o que está no mesmo patamar de uma azia que o antiácido não combate? O cardápio digital. Durante a pandemia, até pela exigência de redução de contato com os outros (até aí, justificável), se popularizou o uso do cardápio em formato digital em bares e restaurantes. Mesmo depois da vacinação e o funcionamento pleno dos espaços, essa moda, para o mal, permaneceu. Nem a geração Z aguenta!

Você chega no estabelecimento e se vê obrigado a escanear o código em uma plaquinha, na beirada da mesa, em um adesivo borrado que nem a lente de um telescópio consegue decifrar. Aí, se você está sem celular (ou está com o aparelho prestes a descarregar), cai em desgraça. O telefone do amigo passa a ser comunitário. De tempos em tempos, se humilha para olhar o cardápio. Se for pedir petiscos e várias bebidas, adeus.

Usam como justificativa o alto custo para produzir cardápios. “E se o preço mudar?”, “e as árvores?” dizem. Olha, não precisa ser um cardápio tipo livro, com várias fotos (que brega, também). Sei lá, uma folha (reciclada) impressa em uma prancheta, um cartão, um led, uma lousa… Vamos de boa vontade.

No Rio de Janeiro aprovaram uma lei obrigando bares e restaurantes a oferecer, TAMBÉM, o cardápio físico. O ideal seria que os próprios estabelecimentos percebessem essa necessidade, sem a interferência do governo. Mas, quem sabe, essas leis não são os nossos antiácidos.

Foto por Lina Kivaka em Pexels.com

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